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May 09 2012
May 03 2012
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April 25 2012
April 18 2012
April 17 2012
April 16 2012
April 03 2012
April 02 2012
ANA Não que ler prá mim?
DANIEL Prefiro que tu leia.
ANA (LENDO) Meu amigo Pedro...
DANIEL (SUSSURRANDO) Ana, mais baixinho... (APONTA PARA O NENÊ)
ANA Tá bem. (COMEÇA A LER A POESIA)
Meu amigo Pedro era uma pedra na vida deles
Como um pedaço solto de coragem
Nem bem crescido ainda
Saiu, lutou e morreu
Morreu assim como um corpo arrebentado
Esticado, dividido
Morreu como um afogado, agonizando, torturado
Morreu como seu pai, desaparecido
Mas ninguém esperava que ele fosse re-viver
Ninguém esperava que ele fosse mais que aquele monte de carne e osso
Que sobrou depois de dois dias nas salas escuras
Depois de dois dias de choques, água fria, paulada, perguntas
Ninguém esperava que Pedro fosse de pedra
Que pedra pode estar parada, inerte
Mas pode ser pedra no ar, arremesso, tiro, vidro estilhaçado
Que pedra pode ser raiva na multidão
Pode ser fogo, fome, febre
Pedra pode ser mais
Que carne é mais que pedra
E Pedro é mais que carne
Que não adianta represar os rios se não se pode parar a chuva
Ninguém esperava que seus amigos, irmãos, todos
Todos soubessem de tudo
Mas que ninguém podia fazer nada
Que a diferença entre Pedro e nós
É a mesma de um assaltante de bancos e um batedor de carteiras
Mas o tempo é o melhor dos remédios
E o tempo tudo cura
Mesmo as feridas deixadas por Pedro
Menos as que em seu corpo permaneceram
Depois que ele ficou ali num canto da sala, agonizando
Enquanto seus algozes riam e tomavam café
Mas o que eu quero dizer
É que ninguém esperava que eu- justamente eu - filha da mesma noite
Contasse essa história
(SILÊNCIO. EMOÇÃO. ANA OLHA PARA DANIEL. ELE BAIXA A CABEÇA E VÊ O FILHO)
DANIEL Dormiu! (PAUSA) Essa tua poesia é linda.
ANA Estou pensando em publicar.
March 31 2012
March 30 2012
March 29 2012
March 28 2012
“ Viver é desenhar sem borracha ”— Millôr Fernandes
March 26 2012
March 22 2012
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